Renascer

Porque precisamos renascer? A grande pergunta que incomoda e que perturba muitos daqueles que já ouviram falar sobre reencarnação ou que de alguma forma tem esse entendimento, mesmo que de forma superficial. Porque precisamos voltar à vida corporal? Qual seria a melhor maneira de compreendermos isso, senão através da história ou da experiência de outrem que já tenha passado por isso. Mas como? Existirá alguém que renasceu e sabendo disso foi capaz de evidenciar? Sim, todos nós renascemos e existem múltiplas evidências de vidas anteriores, provando o dogma da reencarnação. Essas evidências foram publicadas e divulgadas, inclusive, não só por espiritistas mas por homens de ciência, pesquisadores e doutores no assunto reencarnação.

Mas não há nada melhor do que uma história para mostrar que ocorre, e porque ocorre a reencarnação. Para aqueles que ainda não puderam estudar mais profundamente o Espiritismo ou alguma outra doutrina ou religião reencarnacionista, o melhor é um pequeno relato sobre reencarnação, para clarear um pouquinho o entendimento sobre este processo que ocorre a todos nós, sem exceção. E quem poderia nos contar algo tão importante a respeito de um renascimento, de uma volta ao corpo? Bem, sem dúvida dentro do Espiritismo há muitos espíritos que trazem estas informações, assim nós escolhemos um que foi muito conhecido e continua a ser referência para muitas pessoas no Mundo todo.

Na Rússia do século XIX, viveu um grande escritor e também um pacifista que acabou sendo conhecido por suas obras, no mundo inteiro. O grande escritor Léon Tolstoi que ao final de sua vida havia se tornado um verdadeiro cristão após a sua conversão aos ensinamentos de Jesus, sem pertencer a nenhuma igreja e desvinculando o legado do Mestre Galileu, de todos os dogmas católicos e protestantes. É ele que do plano espiritual vem nos trazer um lindo relato sobre reencarnação, através da médium Cirinéia Iolanda Maffei, na obra Arte de Recomeçar.

Nascer de novo

É ele, Tolstoi que nos relata o drama de um adolescente chamado José, à época do Cristo. Magro, esquálido e totalmente deformado, era excluído e motivo de chacota por parte dos que lhe rodeavam, na pequena aldeia onde morava com a mãe. O pai já havia desencarnado e em vida sempre tratava mal o menino, incomodado com o fato dele não poder trabalhar e ajuda-lo nos serviços externos. José era totalmente deformado, não podia caminhar e arrastava-se pelo chão, olhos esbugalhados, dentes totalmente desalinhados e também não conseguia falar, apenas emitindo alguns grunhidos.

A mãe ainda era jovem e sozinha não conseguia prover a subsistência dela e do menino e mesmo com todo o esforço, acabou por prostituir-se para não ver o filho morrer de fome. Também acabou sendo excluída do convívio com a comunidade a qual vivia. Todos naquela aldeia já tinham ouvido falar de Jesus e dos seus feitos, e o menino que carregava o peso das deformações físicas – embora lúcido interiormente – sonhava em encontrar o Mestre de Nazaré. Não demorou para que a oportunidade chegasse e José resolve não perdê-la. Sai de casa cedinho para enfrentar um árduo caminho até uma aldeia vizinha onde Jesus se encontrava. Ajudado no caminho por um homem que também se dirigia para a aldeia, José consegue chegar à Jesus, que em meio à multidão, lhe diz para aguardar que Ele iria atende-lo.

Este encontro na verdade já havia ocorrido. Em noites anteriores José havia sonhado mais de uma vez, com Jesus. E o Rabi lhe mostrava as razões das suas tribulações, onde num passado distante, o deformado rapaz de hoje, havia sido um homem belo e forte, totalmente saudável. Em impressionantes e nítidas imagens, José se via no corpo deste homem forte e de bela aparência, que com espada em punho, recolhia crianças e jovenzinhas, de forma violenta, do interior de casas humildes e pobres que iriam ser levadas por ele próprio ao local de oferendas e sacrifícios humanos para o deus Baal. O jovem guerreiro acaba por se apaixonar por uma sacerdotisa do templo de sacrifícios, e os dois resolvem fugir juntos, algum tempo depois.

Ficava claro para José o que ele havia feito naquele passado obscuro e também que aquela a quem ele amara, era hoje na verdade a sua mãezinha que o cuidava com tanto amor e zelo, sacrificando a própria dignidade para custear-lhe a existência. Perguntava-se se Jesus poderia livrá-lo daquelas deformidades e torna-lo saudável novamente, pois entendia não merecer, pelos erros que houvera cometido com aquelas crianças e as famílias as quais subjugou.

O ENCONTRO COM O MESTRE

“Eis que mãos gentis o levantaram, lábios sorriram-lhe bondosamente. O Mestre conversou com ele, sob o sol da manhã…. Conhecia-o, pois era o mesmo do sonho surpreendente, do qual agora a recordação aclarava! Sem dúvida era Ele, o instrutor amigo que lhe desvendara os arcanos do passado!

Encontro

Tolstoi relata: “Sob o influxo da voz de Jesus, abriram-se as comportas repressivas das pregressas existências e desnudaram-se os segredos: quanta ignorância, quanta selvageria, quanto desatino a marcar sucessivas reencarnações, sobrecarregando a consciência do ser atual, mudanças, desagravos! No corpo marcado e disforme, espelhava-se o espírito enfermo, clamando por imediato e intransferível reajuste. Escolhera as dores do presente, intentando serenar os remorsos pungentes; a companheira de outras vidas, conivente e por ele incentivada a desmandos maiores, recebera-o como filho, para purifica-lo no cadinho da redentora maternidade, amparando e confortando o amado de outrora. ”

Naquela manhã, Jesus após atender a todos os que vinham ao seu encontro, convida José para Lhe acompanhar e aos discípulos. José que já não sentia mais as suas dores, naqueles pequenos momentos em que ouvira atentamente as lições de Jesus aos que haviam estado com Ele, aguardava pacientemente.

Jesus então irá se aproximar e calmamente lhe dizer: “Queres a troca, eu o sei… estás consciente da responsabilidade que envolve tua escolha? Haverá momentos em que a porta larga da deserção e do retorno a transatas experiências acenar-te-á com tal veemência que precisarás de muita força de vontade para perseverares no caminho estreito. Quando isso ocorrer, lembra-te de mim com especial empenho, e certamente receberás o amparo. Não te julgues jamais da possibilidade de erro, mas nunca deixes de levantar e prosseguir, fazendo das quedas o estímulo para outras tentativas, proporcionado a oportunidade de novas experiência e aprendizagens. Entendes-me?

O PASSE CURADOR

Jesus impunha as mãos sobre o rapaz. “As mãos envoltas em safirirna luz elevaram-se sobre a cabeça do deslumbrado jovem. Uma impressão estranha e indescritível invadiu-o, como se o corpo houvesse adquirido imponderabilidade, mergulhado em oceano de luz e bem-estar, flutuante em fluído leve e perfumado. Os membros, enrijecidos e vergados, distentenderam-se, adquirindo aspecto normal, e ele movia-os temerosa e instintivamente, testando-os… as deformidades foram-se, as cordas vocais obedeceram ao seu maravilhado comando, liberando a voz clara e sonora. ”

Trabalho

O TRABALHO REDENTOR

O jovem pergunta à Jesus, se podia ser curado, ele que havia praticado tanto mal. Jesus responde:

“Trabalharás em prol dos que sofrem, ensinar-lhe-ás a resignação e a paciência… voltarás ao lar, abandonarás a aldeia que te rejeitou… seguirás teu caminho sem temor… tuas ações serão iluminadas e a messe reconhecida aos olhos de Deus, qualificando-te como servo bom e fiel. Tu lavrarás a difícil seara das almas humanas, recolhendo em teu benefício os frutos da redenção e do esclarecimento…. Confia sempre, mesmo nas horas mais difíceis… e receberás auxílio e forças para prosseguir…” José permaneceu ainda algum tempo com Jesus e os discípulos, descobrindo o verdadeiro significado da palavra felicidade, compreendendo a finalidade da existência e o destino do ser.

A CASA DO CAMINHO

Tempos depois José consegue em outro lugar, iniciar um trabalho e uma nova vida, numa ampla e rústica casa, que abrigava muitas pessoas que buscavam um porto seguro diante das dificuldades da vida. A Pousada do Mestre onde ele a mãezinha que lhe acompanhava sempre com amor e cuidados, acolhiam a todos que ali chegavam.

Na história de José, identificamos o drama  de todos nós, indo e vindo na roda das reencarnações, necessitados que somos de reequilibrar a balança do espírito, que ainda pesa tanto no lado que registra os nossos erros e quedas do passado. É uma verdadeira benção, a reencarnação, por nos oportunizar o reinício da tarefa e dar um novo rumo às nossas ações, corrigindo erros e construindo caminhos melhores no presente para um futuro de serenidade e paz na consciência.

Sabermos que estamos reencarnados não nos convida a olhar para trás, mas sim agir conscientemente no presente, sempre com vistas ao futuro que desejamos, onde a colheita possa nos trazer frutos doces à sombra da árvore enraizada na fé e na virtude de um coração puro, simples e sincero, plenamente identificado e sintonizado com os ensinamentos exemplificados, pelo Mestre de Nazaré.

Ficam para nós as preciosas lições de José, espírito necessitado de redenção, amparado e socorrido pela sua fé, por Ele, o Maior de todos,  Jesus. Sejamos nós também sustentados pela fé inabalável Naquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Só assim poderemos encontrar a paz na consciência e a harmonia com Deus, através do trabalho em torno de nós próprios, como forma de nos redimirmos dos erros pretéritos. O presente é agora e o futuro será aquilo que construirmos hoje. É isso que importa.

Muita Paz!

 

Referência Bibliográficas:

MAFFEI, CIRINÉIA – Arte de Recomeçar, pelo Espírito Léon Tolstoi – Ed. 02/2008, Boa Nova Editora

 

OI… VOLTEI!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *