Obsessão

A Doutrina Espírita desde o seu surgimento pelas obras do mestre Lionês Allan Kardec, com a assistência Superior dos Benfeitores Espirituais, que na verdade são os grandes criadores da nova doutrina, conforme asseverou o próprio Kardec, caracterizou-se de pronto pelo estudo contínuo da nova ciência religiosa, assim como pelo intercâmbio consciente entre as entidades desencarnadas e encarnadas.

Passados praticamente um século e meio desde o lançamento de O Livro dos Espíritos, pilar fundamental do Espiritismo, naturalmente ampliou-se e muito o alcance que os novos conhecimentos puderam facilitar no que diz respeito ao trabalho prático, de estudo e de divulgação contínua.

Se hoje, as agremiações espíritas formam-se por várias células e núcleos espiritistas cujo trabalho tem sido o de cada vez mais integrarem-se para formarem alianças fortes e de longa vida, é verdade também que o trabalho principal do Espiritismo que seria justamente o de formar excelentes médiuns para o intercâmbio salutar e útil no que diz respeito ao trabalho que reclama bons operários, dia e noite, tal o número de pessoas necessitadas de assistência espiritual nos dias de hoje, realmente parece não atender estas demandas.

Sabemos da necessidade de divulgar e ampliar os quadros espíritas, porém, é no dia-a-dia que vemos, ouvimos e sentimos a necessidade da prática mediúnica caridosa e desinteressada, como deve ser exercida da pelo bom médium, mas que infelizmente anda cada vez mais escassa. Porque?

Esta é a pergunta que todo trabalhador espírita e especialmente os dirigentes de casas e órgãos espíritas deveriam fazer a si e àqueles que fazem parte da direção e coordenação dos trabalhos na seara espírita.

O que realmente estamos fazendo para amenizar a dor e o sofrimento de pessoas perturbadas por obsessores mesmo naquelas obsessões consideradas leves? E quando ocorrem casos extremos de alienação mental e o paciente chega até a casa espírita, qual é o procedimento, o que estamos realmente fazendo para diminuir a dor dessa pessoa? Estamos comprometidos na cura desse enfermo realmente ou estamos apenas cumprindo o roteiro: vai para o passe, x desobssessões, assiste palestras, etc., conforme a estrutura de atendimento que cada casa espírita possa oferecer.

A literatura espírita é farta em obras sobre obsessão e desobssessão, mas parece que muitos espíritas evitam o assunto e até mesmo a prática, sendo que poucos livros desses são estudados nos grupos e quando o são, tudo ocorre tão rapidamente que mais confunde do que esclarece.

Reunião MediúnicaAcreditamos que um dos pilares fortes de uma casa espírita deva ser justamente formar uma equipe de bons médiuns trabalhadores, dedicados e comprometidos com as questões desobssessivas. A necessidade hoje, como ontem, nos remete para esse trabalho e mesmo que se diga que é difícil encontrar bons médiuns, o dirigente responsável pelos trabalhos no Centro Espírita não pode deixar de lado o compromisso da tarefa mediúnica, pois, de outro modo, corre um sério risco de deixar desprotegida a seara.

Já de algum tempo vemos e ouvimos muito barulho nas atividades espíritas. Eventos e mais eventos que parecem estar desfocando o núcleo espírita dos verdadeiros compromissos para a qual existe: esclarecer e consolar, aliviar e educar, sejam espíritos encarnados como também os desencarnados. Dizemos isso porque nos parece muitas vezes que os trabalhos, eventos e festas são somente para os encarnados, numa desconsideração total com os irmãos necessitados que estão fora do corpo.

Em meio a tanto barulho é muito fácil perder o foco e isso acontece em larga escala porque vem de cima, de quem centraliza as ações, salvando-se apenas aqueles valorosos núcleos ou células espíritas que optaram por não fazer parte ou não tiveram a sua entrada permitida na grande entidade, seja ela municipal, estadual ou federal.

Jesus que em tudo se faz presente, bem o sabe, tanto que é justamente nesses pequenos e esquecidos núcleos, onde muitas vezes os atendimentos de grande valia são realizados. Verdadeiros tratamentos e curas se operam em casas pequenas e humildes, quase sem estrutura – MATERIAL – mas com uma grande estrutura ESPIRITUAL, porque passam longe do fervor de eventos regados a doces e comilança.

Nessas casas geralmente o pouco alimento que se dispõe é utilizado tão somente como caridade para os irmãos necessitados. Adquirem assim o crédito pela ação benfazeja que ajuda e ergue o necessitado. Não poderemos nos alçar a patamares melhores ou mais altos se não praticarmos verdadeiramente a ação benfazeja em favor de nosso próximo, em especial o doente e o necessitado. É preciso ter a visão clara para realmente ter consciência da grande responsabilidade que temos quando estamos diante do trabalho na seara espírita.

Muitas vezes criticamos outras religiões pelo espetáculo em que se transformaram, entretanto, caberia à nós espíritas uma profunda avaliação nesse aspecto também para ver se não estamos indo para o mesmo caminho. Em tudo é preciso ter o equilíbrio necessário e acima de tudo deve-se priorizar as necessidades, aplicando recursos sejam materiais ou não onde realmente se faça necessário.

SofredoresPululam ao nosso redor criaturas em grandes dificuldades emocionais, psicológicas e mentais. Muitas vezes sofrendo o assédio de outras criaturas cobradoras de dívidas passadas e nos cabe dar toda a assistência possível a ambos, sem julgamentos ou rotulações. O necessitado que nos chega representa oportunidade de crescimento para nós mesmos e o melhor que podemos e devemos fazer é praticar a empatia e ter compaixão, ou seja, nos colocar no lugar desse irmão e sentir sua dor, como forma de também despertamos para o bem que podemos fazer.

Sempre haverá momentos para o júbilo e o deleite, porém, isso deverá ser sempre depois de atendidos os compromissos e necessidades primordiais, e convenhamos, estes são muitos.

Kardec com uma visão extremamente clara de futuro, orientou que as casas espíritas não deveriam crescer muito, justamente para que não ocorresse, em outras palavras, a perda de foco, do que é o Espiritismo e a sua grande missão.

Lembremo-nos também as palavras do Divino Amigo: “Vós sois o sal da Terra”. Sim, Ele mais do que ninguém sabia curar e consolar as dores alheias e precisamos Lembrá-lo sempre como modelo e guia da Humanidade. Jesus continuará sendo sempre o farol a iluminar caminhos que homens e mulheres, espíritas ou não, precisarão seguir como forma de crescerem na experiência terrestre.

Lembremos também que somos cidadãos do mundo e precisamos atender compromissos e responsabilidades que a sociedade nos impõe e isso por si só deveria bastar, pois nosso tempo escoa-se ao longo de cada jornada de trabalho e sempre nos falta algo a realizar ainda.

Como alguém poderá tornar-se um bom médium se não tem o tempo e o espaço para o refazimento das energias e para o reequilíbrio psíquico, tão necessários no serviço de assistência ao próximo?

As grandes entidades e associações espíritas deveriam primar por um calendário muito bem organizado e que não pesassem sobre os pequenos núcleos, evitando comprometer o foco principal e pilar central de uma casa espírita, o compromisso mediúnico, além de não sobrecarregar as pessoas que buscam o Espiritismo como um meio de crescer e evoluir, entre outras coisas, o que certamente não se dá através de grandes eventos sociais e propagandistas, senão pelo trabalho anônimo e descomprometido em prol dos semelhantes,  sem alardes e exposições púbicas desnecessárias.

Servir ao próximo

Todo encontro como forma de descontração e alegria sempre será algo salutar e deverá estar presente no menu espírita, porém, no devido tempo e sem desviar o foco da atividade principal de uma casa espírita, que é atender aos necessitados do corpo, da mente  e do espírito, antes de tudo.

Muita Paz!

 

 

 

ONDE ESTÃO OS MÉDIUNS?…

2 thoughts on “ONDE ESTÃO OS MÉDIUNS?…

  • 27 de junho de 2016 at 21:44
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    Sua posição é muito bem fundamentada. Faz-se necessário uma maior reflexão sobre o assunto. Realmente, atualmente pode-se notar algumas distorções com relação ao foco que o Movimento espírita esta seguindo. Mas, como o próprio Kardec falou: haverá dissenções pelo caminho. A Mediunidade é o ponto critico da Doutrina e refletir nas casas espíritas, a representatividade disso é fator preponderante para não acabar dispersando a importância dela para o Espiritismo.

  • 29 de junho de 2016 at 12:23
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    Realmente caro amigo. Algumas coisas de certa forma nos preocupam. A Terra é ainda um planeta de provas e expiações e por isso o sofrimento e a dor continuam a existir. Nossos esforços e a nossa energia deve-se voltar primeiramente para atender as necessidades humanas e a casa espírita deve ter bem clara essa visão.

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