Deixai vir à mim as Criancinhas

ESTUDO DO CAPÍTULO VIII – Bem-aventurados os que têm puro o coração

SIMPLICIDADE E PUREZA DE CORAÇÃO

“…apresentaram-lhe então algumas crianças, a fim de que Ele as tocasse, e, como seus discípulos afastassem com palavras ásperas os que lhas apresentavam, Jesus vendo isso, zangou-se e lhes disse: “Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o reino dos Céus é para os que se lhes assemelham. Digo-vos em verdade, que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará. ” – E, depois de as abraçar, abençoou-as, impondo-lhes as mãos. (Marcos, 10:13 a 16).

Conforme esclarece Kardec, para ter pureza de coração é preciso ser simples e humilde, e lembra que Jesus utilizou a infância, mais precisamente a condição de “criancinha”, a qual todos passamos, para exemplificar como seria estar de coração puro.

Kardec irá lembrar ainda, que mesmo sabedores que somos que a criança é também um espírito, o qual pode ser muito antigo, com muitas encarnações e que ao renascer, traz consigo muitas das imperfeições que possui como espírito, a alusão que Jesus faz comparando a condição de “criancinha” com a pureza de coração, tem todo o sentido, já que, é nesse pequeno intervalo de nossa existência, onde estamos suscetíveis de novos aprendizados e mais maleáveis, para as mudanças que uma nova educação pode nos proporcionar, na condição de espíritos em processo de aprendizagem e evolução.

Quiséssemos saber realmente como sermos puros, precisaríamos ter um espírito puro entre nós, o que nos parece algo difícil, tendo em vista que Espíritos Puros, obviamente, fazem parte de Comunidades Espirituais muito mais avançadas, Mundos Evoluídos, por assim dizer, o que não é o caso da Terra, exceto é claro, quando em missão, como o próprio Jesus, quando esteve entre nós, há dois mil anos.

A inocência na criançaSabemos que muitas crianças evidenciam sinais e tendências negativas já na infância, porém a referência que Jesus fazia, era em relação àquele período onde o ser encarnado tem a imagem da inocência e da candura, e é nessa perspectiva que Ele quer que nos espelhemos, para nos comportarmos com simplicidade e humildade, atestando a necessária pureza de coração.

É justamente durante o processo da Reencarnação, que o Espírito perde pouco a pouco a consciência de si mesmo, ficando como num sono, onde todas as suas faculdades como espírito, irão ficar em estado latente, ou seja, serão deixadas de lado temporariamente, para que ele ao renascer tenha um novo ponto de partida, um novo começo e para isso esse espírito precisará passar pela infância terrena, necessitado de carinho, atenção e amor por parte daqueles que lhe geraram, em especial a mãe.

Não tivesse esse esquecimento, seria muito difícil para uma mãe e até mesmo o pai, relacionar-se e desenvolver carinho e amor por uma criança cheia de defeitos, vícios e mau comportamento, características dos adultos reencarnados. Por isso é na infância propriamente dita que o espírito irá passar por um período de inocência e candura, como falamos anteriormente, e onde precisará de maiores cuidados fraternos e amorosos, por parte da mãe e do pai.

Naturalmente tudo aquilo que ficou armazenado ou guardado de forma latente, em algum momento poderá repontar, em forma de insights e principalmente no comportamento do ser reencarnado, pois que toda a experiência em reencarnações passadas, lhe condicionaram a agir de determinada forma. É contra esses comportamentos (quando maus) que nós devemos lutar para nos libertarmos dos vícios e tendências negativas, como forma de aproveitarmos a oportunidade reencarnatória atual.

A partir do momento em que as ideias que se encontram adormecidas, começam a surgir em nossa mente, nossos instintos que estavam como que anestesiados, são gradativamente despertados, obedecendo ao comando mental, processo no qual, muitos de nós, voltamos a cometer as mesmas falhas do ontem, nos credenciando para novas quedas.

Pais e filhosPor isso o período da infância é de tamanha importância e uma grande responsabilidade para os pais e genitores. É justamente nesse período em que devemos ficar muito mais atentos aos pendores de nossos pequenos e pequenas, pois mesmo com toda a candura e inocência, em algum momento eles também mostram e evidenciam suas tendências passadas, que serão positivas e negativas, conforme o avanço que tenham feito até a presente encarnação.

Se mergulharmos um pouco mais sobre este ponto, veremos que se trata de algo extremamente significativo para todos os que estão envolvidos no processo. Se por um lado os pais devem cuidar para educar convenientemente os filhos, aparando arestas, ao observar as tendências negativas, e promover tudo aquilo que o pequeno ser traz de positivo, por outro lado, não menos importante, seria os pais, pelo contato com as crianças nesse período infantil, espelharem também esse comportamento de inocência e candura na sua vida, como seres adultos que são.

Aí talvez, no nosso entendimento, o grande ensinamento de Jesus: Se quisermos ser puros de coração, o modelo é essa fase da criança, de total inocência e pureza de sentimentos. Se todos experienciamos em nossos lares, diariamente o contato com elas, porque perdermos essa grande oportunidade de aprendermos a sermos realmente mais puros de coração, freando nossos instintos e educando nossos condicionamentos passados para novas formas de pensar e agir.

Se um homem não renasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. – Jesus

 

SIMPLICIDADE E PUREZA – SELOS DE QUALIDADE PARA O ESPÍRITO

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