Allan Kardec

De Rivail à Kardec, teria sido uma mudança natural, progressiva e esperada?

Transformar-se num ícone religioso, científico ou filosófico como é a Doutrina dos Espíritos teria sido algo grandioso do ponto de vista puramente humano, já que o ego vive e se alimenta da projeção pessoal diante das plateias humanas e tem sido assim desde o início da civilização, em todos os tempos.

Porém o homem Hippolite Léon Denizard Rivail parece ter se preparado para assumir um novo e singular papel na recente história contemporânea, totalmente indiferente às questões egoísticas normais em a natureza humana e que dominam grande parte dos espíritos encarnados em decorrência das fraquezas que esses espíritos ainda carregam consigo desde há muito tempo em suas várias experiências pretéritas na matéria.

O nobre professor, educador e pedagogo Rivail sempre buscou por respostas para as questões humanas, sobre o papel do homem e da mulher enquanto seres inteligentes da criação. Pesquisador dedicado e conhecedor da química, da álgebra, da aritmética, além de ser fluente em vários idiomas, desde cedo destacou-se na arte de estudar ao ponto de substituir o seu mestre Pestalozzi, quando ausente, na sublime tarefa de ensinar os seus colegas de classe.

Perspicaz e inteligente, de personalidade forte, jamais se deixou intimidar nos desafios que a vida lhe propunha, como se no fundo soubesse o que estava lhe aguardando para, digamos, a segunda parte de sua existência na Terra, como viria a ser, como o Codificador da Doutrina dos Espíritos.

Sendo adepto das ciências exatas, logo de início manteve-se longe das novidades dos saraus parisienses, quando das manifestações conhecidas como danças das mesas ou mesas girantes. Era o início da popularização da invasão organizada (denominação utilizada pelo Espírito Emmanuel, para o advento do Espiritismo) que a princípio parecia muito mais com espetáculo de circo do que algo muito sério e que merecesse a atenção de pessoas idôneas e retas como foi o professor Rivail em toda a sua trajetória existencial.

Para ele assim como para muitos outros o que ocorria era nada mais do que truques para entreter os incautos e esteAllan Kardec entendimento se deve ao fato de aquele período – século XIX – ser o chamado século das luzes, ou seja, a humanidade vivia um momento de grande despertar intelectual. Escritores, poetas, filósofos, cientistas, inventores, artistas, pareciam dominar os rumos da nova civilização que acabara de se libertar de quase mais de mil anos de escuridão, como foi a Idade Média. As fogueiras estavam extintas e já havia uma maior liberdade de expressão, talvez por isso, era natural que homens que se ocupavam com as novas descobertas e invenções, assim como as grandes criações artísticas e poéticas, pensassem que as manifestações das mesas girantes se tratavam única e exclusivamente de ilusionismo para impressionar os mais tímidos e desavisados, além dos fúteis e ignorantes.

Fora preciso muita insistência por parte de outros homens sérios que se interessaram a investigar os tais fatos, para que vissem ali alguma coisa extraordinária que merecia um olhar mais acurado e desprovido de preconceitos que tornava tudo muito simplista, porém, superficial, sem profundidade e nem lógica científica.

Ao adentrar o palco destas manifestações, o professor Rivail se limitou inicialmente a observar, buscando através de um raciocínio apurado e livre de ideias pré-concebidas, retirar somente a essência que existia por trás de todo aquele “barulho” e movimentos de objetos, inertes, como mesas e cadeiras.

Bastou a sua presença e um forte interesse em descobrir a verdade, fosse ela qual fosse, e não “a sua  verdade”, como muitos outros tentavam aplicar para se auto promover, tão logo em seguida, os espíritos frívolos – que desempenharam um papel importantíssimo, diga-se de passagem -, no início da apresentação da nova ciência que se preparava para dar os primeiros passos, cederam o espaço à espíritos de escol, superiores, inteligentes e muito mais evoluídos e que por isso estavam à frente desse grande projeto sob a direção de Jesus, de trazer ao mundo o Consolador Prometido, como havia sido dito por Ele, o meigo nazareno há quase dois mil anos atrás (àquela época).

O cenário então muda e as questões passam a ser outras. Não mais os interesses pessoais e mesquinhos coadjuvados pelos espíritos brincalhões, mas sim questões altamente relevantes e de grande importância para a humanidade em geral. Era o momento do querido professor colocar para as nobres entidades todas aquelas questões que ele própria fazia a respeito da vida e do Universo. Ele havia procurado por isso, e agora podia encontrar a satisfação para as suas ânsias mais íntimas sobre questões que só os homens identificados com o compromisso de viver e entender a vida, podem buscar.

Foram os próprios espíritos que mais tarde lhe disseram que ele tinha sido escolhido por justamente ter procurado saber mais a respeito da vida e das leis que regem o Universo. Evidentemente sabemos que já em outras reencarnações anteriores, Allan Kardec já havia granjeado valores espirituais que lhe credenciaram para ser o Codificador do Espiritismo.

Kardec, o druídaA partir daí, saí de cena o querido professor e pedagogo Hippolite Léon Denizard Rivail, para assumir o homem que iria trazer uma nova luz ao mundo contemporâneo: Allan Kardec – pseudônimo que assumiu, ao saber da sua encarnação entre os druidas, muitos séculos antes – entregando-se à um árduo trabalho junto às entidades espirituais que se revezavam nas respostas às perguntas que ele formulava. No início foram mais de quinhentas perguntas e que por si só já se constituíam num grandioso trabalho da fundação da nova doutrina.

O Livro dos Espíritos que seria editado e lançado ao público em abril de 1857, teria na sua 2ª edição, mil e dezenove questões. A partir daí veio a publicação de O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e a Gênese, além de um pequeno livro resumido sobre a nova doutrina, intitulado O Qué é O Espiritismo e o livro Obras Póstumas, publicado após o seu desencarne.Obras Básicas do Espiritismo

O que nos convém meditar a respeito é sobre a mudança na vida do professor Rivail, uma mudança que à nós muitas vezes acontece e sem perceber o acréscimo e a importância que faz, conhecer a vida como ela realmente é: como seres encarnados percorrendo uma existência que vai do berço ao túmulo; e como seres espirituais, anteriores ao nascimento e que continuam a viver após a morte do corpo físico. Tudo isso nos faz mudar, nos faz transformar a nossa pequena passagem pelo corpo, em algo mais significativo, engrandecedor e nobre, quando assimilamos os profundos ensinamentos que os nobres amigos espirituais nos trouxeram e que chegaram até nós pelo dedicado trabalho de um homem que renunciou à sua própria vida, enquanto morador terrestre, para deixar um legado de uma nova realidade existencial que todos nós podemos e devemos experienciar.

Allan KardecNeste último dia de março de 2016, completou 147 anos do desencarne do nobre Codificador do Espiritismo, porém, ainda precisaremos de muitos outros séculos pela frente para realmente nos colocarmos tal como ele se colocou diante da grandiosa obra de Deus, como colaboradores fiéis e eficazes na tarefa de construir um mundo cada vez melhor e digno de se viver, seja na Terra ou fora dela, em outros planetas ou mundos, pois como bem asseverou Jesus: “Há muitas moradas na cada de Meu Pai”.

A sua grande obra ou como diria o próprio Allan Kardec: a obra dos Espíritos, continua a nos convidar a beber nas suas águas límpidas e cristalinas, saciando a sede de existência que todos trazemos conosco, como a nos dizer que a vida é eterna continuidade, que não há morte e sim a transformação da matéria que a essência espiritual anima. Que o espírito permanece, exatamente como é, com seus créditos e débitos acumulados na conta existencial, mas que acima de tudo somos todos fadados à relativa perfeição e felicidade, que podemos alcançar conforme os nossos próprios esforços.

A Doutrina Espírita esclarece e consola e Jesus é o modelo e guia a ser seguido, para que possamos realmente alcançar o cume da evolução que nos é permitida pelo Pai, que é Todo Amor e Todo Bondade.

Espiritismo

Muita Paz!

 

 

Siga-nos e curta nas redes sociais.
HÁ 147 ANOS…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gostou do Blog? Compartilhe!