Desejo

“O desejo, que leva ao prazer, pode originar-se no instinto, em forma de necessidade violenta e insopitável, tornando-se um impulso que se sobrepõe à razão, predominando em a natureza humana, quando ainda primitiva na sua forma de expressão. .. Sem o controle da razão, desarticula os equipamentos delicados da emoção e conduz ao desajuste comportamental.”

Num mundo onde a loucura do sexo desenfreado parece ser a tônica atual, merece reflexão a temática do sexo, tão aplaudido, cultuado e incentivado pelos meios de comunicação, especialmente a televisão. A internet por sua vez, trata de levar quase que instantaneamente as informações, imagens e vídeos que tratam da mesma temática, infelizmente, de forma chula e obscena.

Em 1998 Joanna De Ângelis através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, escreveria uma obra monumental, no que concerne às questões de amor e sexo. Evidentemente que a nobre mentora deu ênfase ao sublime sentimento universal… o Amor. Cabe-nos ler, estudar e reflexionar a respeito destes profundos conceitos trazidos pela espiritualidade superior, de forma a podermos nos esclarecer a respeito da conduta sexual que experimentamos neste momento.

Se por um lado, uns e umas se entregam a toda sorte de prazeres e satisfações corporais, outros se encarregam de documentar as imagens e práticas sexuas alheias, filmando ou fotografando irresponsavelmente, como forma de se auto-promoverem nas redes sociais, em cima dos infelizes e desatentos que se permitiram entregar tão facilmente ao devaneio do sexo instintivo.Acabam por denegrir e causar grandes danos morais aos incautos. Porque? Talvez por uma simples satisfação do ego doentio. Por um momento de destaque entre o grupo de amigos e afins.

DesejoTudo isso ocorre porque, mesmo naqueles que buscam incessantemente o prazer, na verdade existe dentro do corpo, animando esse corpo, um espírito ávido por um outro sentimento… o Amor. Toda busca desenfreado é na verdade uma ausência de algo maior, um sentimento que acalma, que encanta, que traz vida e que permite abrandar o fogo alimentado pelo instinto acostumado às fortes sensações, desde as primeiras épocas de nossa história, quando das primeiras encarnações.

Necessário entender a força desta energia sexual, tão importante na nossa vida. Deixar escoar essa preciosa energia, sem produzir um fim útil, é deixar-se morrer um pouco mais a cada dia, pois tanto o corpo quanto o espírito são alimentados em energia. Qualquer um que já tenha experienciado o sexo somente pelo sexo, sabe do vazio, da frustração e do mal estar que veem logo após o prazer fugidio.  A vontade de sair logo, de abandonar o parceiro, o lugar, etc. de banhar-se o mais rapidamente possível numa ingênua tentativa de limpar o corpo e a alma, ou seja: purificar-se.

Ocorre que a consciência nos mostra o grave equívoco, quando praticamos o sexo de forma irresponsável, Não nos referimos aqui às questões sociais ou oficiais… se é casado, separado, namorado, etc. E sim à tudo o que temos visto e ouvido sobre os comportamentos esdrúxulos e imorais, de irmãos infelizes, certamente obsidiados e subjugados em corpo e espírito.

“O desejo impõe-se como fenômeno biológico, ético e estético, necessitando ser bem administrado em um como noutro caso, a fim de se tornar motivação para o crescimento psicológico e espiritual do ser humano.
É natural, portanto, a busca do prazer, esse desejo interior de conseguir o gozo, o bem-estar, que se expressa após a conquista da meta em pauta. Por sua vez, o prazer é incontrolável, assim como não administrável pela criatura humana.”

Joanna nos esclarece que esta vontade, esse desejo é algo natural, porém devemos saber como empregá-lo, procurando não o simples gozo, mas acima de tudo dar e receber prazer, de forma a buscarmos o equilíbrio, seja do corpo, da mente e do espírito. Tudo isso é possível quando nos disciplinamos e buscamos viver dignamente, refreando o instinto sempre sequioso de novas emoções e sensações. Por outro lado é certo também que não devemos nos castrar, ou seja, sufocar o desejo e a vontade de sexo. Como fazer então?

Sendo sexo uma energia de potencial criador, podemos e devemos saber reconduzi-lo de forma a escoar essa energia mas sempre com um fim nobre e produtivo. Alguns autores chamam a isso de transmutação do sexo, ou seja, quando a energia sexual é canalizada para outras atividades criadoras, já que o a função básica do sexo é a pro-criação.

DesejoQuando nos entregamos à outras atividades como estudar, praticar esportes, trabalhar com amor e dedicação, estamos também a movimentar a energia sexual em outras direções que não somente o ato instintivo, que é aceito nos animais, tendo em vista a faixa evolutiva que ainda se encontram, mas a qual o homem já não faz mais parte. Quando escolhemos as atividades culturais, como a música e a arte por exemplo, estamos empregando uma grande energia criadora que Deus nos concedeu, dando-nos o livre-arbítrio para escolhermos como melhor empregá-la.

“O prazer se apresenta sob vários aspectos: orgânico, emocional, intelectual, espiritual, sendo, ora físico, material, e noutros momentos de natureza abstrata, estético, efêmero ou duradouro, mas que deve ser registrado fortemente no psiquismo, para que a existência humana expresse o seu significado.”

Perguntemo-nos: Sexo em quantidade e diversidade realmente nos faz feliz? Pessoas que têm menos atividade sexual serão infelizes? A resposta está dentro de cada um de nós, e são respostas talvez diferentes, porque somos diferentes e nos encontramos em pontos diferentes. É possível que alguns de vocês que nos leem neste momento estejam pensando: “Mas que monte de bobagens, ninguém vive sem sexo!” – De nossa parte dizemos: Será?

Desejo

O ideal é simplesmente evitar o abuso, a promiscuidade e a irresponsabilidade. Não estamos proibidos de nada. Tudo podemos fazer, porém é preciso lembrar que nem tudo nos convém. Há momentos ou talvez períodos que o melhor é realmente “darmos um tempo”, de forma consciente, tendo nós o controle do nosso corpo, através do controle da nossa mente. Somos detentores do poder de decidir. Se soubermos controlar nossa mente e nossos pensamentos principalmente, estaremos sabendo nos conduzir de forma equilibrada no caminho que escolhemos percorrer.

 

Joanna finaliza nos dizendo:

“A essência da vida corporal, no entanto, é a conquista de si mesmo, a luta bem direcionada para que se consiga a vitória do Self, a sua harmonia, e não apenas o gozo breve, que se transfere de um estágio para outro, sempre mais ansioso e perturbador.”

De nossa parte acrescentamos:

Somos todos homens e mulheres em contínua busca interior, nos descobrindo pouco a pouco. Somos espíritos em processo contínuo de evolução, ora encarnando em personalidades femininas, ora em corpos masculinos, como a experienciar todas as formas de amar e servir. E esse é o sublime sentimento, o amor, que acima das paixões devoradoras, deve permanecer, como a nos transformar em seres melhores a cada experiência.

A prática mal-sucedida do ontem não deve nos atormentar, e sim nos servir de aprendizado sobre o que deve ser evitado. Todo dia ou toda noite, podem surgir novas oportunidades para… “transar” ou… AMAR. Façamos nossas escolhas, lembrando que bem perto o nobre Nazareno nos acompanha, nos convidando a nos libertarmos das correntes pesadas que ainda nos aprisionam aos instintos agressivos e escravizadores. Quem descobre a luz, jamais quer retornar à escuridão.

Muita Paz!

 

 

Bibliografia:

AMOR, IMBATÍVEL AMOR – Joanna De Ângelis/Divaldo Franco

 

 

 

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ENERGIA SEXUAL…

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