Amor, a Lei de Atração

Recentemente abordamos em nossa palestra pública o tema AMOR, dando ênfase às uniões verdadeiramente alicerçadas no maior sentimento que um ser humano pode conhecer e experimentar. Para falar sobre o Amor verdadeiro, naturalmente precisamos trazer à tona a realidade da grande maioria dos seres encarnados na Terra, uniões nem sempre estabelecidas no real sentimento divino.

Infelizmente é o que mais ocorre e as causas e razões são muitas, além dos ângulos que podemos somente analisar, sem julgamentos. Compromissos reencarnatórios, provas e muitos outros entendimentos que podemos buscar na ânsia de procurar entender porque duas pessoas se consorciam, como encantadas num determinado momento, efêmero, pois que passa com o tempo, dando lugar à convivência fria, indiferente e muitas vezes, tornada um pesado fardo a carregar, por parte de um ou de ambos.

Também durante uma aula num dos grupos de estudos que participamos, recebemos o depoimento de uma colega, a qual realizou uma pesquisa, com vários casais, num hospital, sobre os motivos que os levavam a estarem juntos, principalmente durante as dificuldades de saúde de um ou de outro. Segundo nossa colega, constatou-se que as pessoas de mais idade, permaneciam junto umas das outras nos momentos difíceis, enquanto que entre os jovens, a tendência era ocorrer a separação, nestes mesmos momentos.

Sem entrar em detalhes sobre esta pesquisa, apenas podemos exprimir aqui nosso entendimento a respeito dessas uniões infelizes, que alguns experimentam e daquelas duradouras e realmente felizes, apesar de raras.

“O amor é a lei de atração para seres vivos e organizados. A atração é a lei de amor para matéria inorgânica. ” – São Vicente de Paulo

Amor e atração físicaSe assim for, e acreditamos que realmente o seja, vemos infelizmente, que muitos ainda se deixam envolver por atração, conforme nos diz São Vicente. Sabemos que a matéria e os sentidos exercem forte atração entre os seres animados e quando não temos o controle sobre esses impulsos, acabamos por nos unir a outro ou outra, sem o contributo maior do sentimento por excelência, o amor.

Daí não ser difícil entender que principalmente nos jovens, isso ocorra com maior intensidade, pois nessa fase da vida física, a nossa energia está talvez no ponto culminante de nosso processo existencial. Evidentemente é preciso reconhecer que muitas uniões se tornam felizes a partir dessas atrações primeiras, para logo em seguida experimentarem o sentimento maior. Ocorre, porém que isso não seria uma regra geral, pois a todo momento estamos vendo e ouvindo sobre as grandes dificuldades entre casais, sejam jovens ou maduros.

Isso nos levar a compreender que mesmo a partir das uniões por atração “à primeira vista”, nem todas estão fadadas ao fracasso ou ao sucesso, dependendo exclusivamente das escolhas de cada, dentro dessa relação à dois. Se por exemplo o esposo que num primeiro momento cativou sua parceira com carinho e cuidados, mas agora, depois de algum tempo, faz novas escolhas, diríamos infelizes, tais o álcool, os lazeres e prazeres com os amigos, sem a participação da esposa – esporte, pescarias, noitadas, bebedeiras, etc. – será natural e compreensível que a esposa por sua vez, possa também fazer novas escolhas, e não simplesmente aceitar, pelo resto de seus dias, um “companheiro” que tornou-se um fardo pesado demais para carregar, por sua livre escolha.

Diferentemente quando o esposo ou esposa sofre um acidente ou é acometido por uma doença grave, que mesmo pesando na economia do casal, caberá ser protegido e cuidado pelo cônjuge, em nome do amor, do respeito e da integridade, pois esta sem dúvida, não foi uma escolha infeliz, como no exemplo acima.

CasamentoO Espiritismo, por sua vez nos fala da lei de afinidades e das simpatias, por onde nascem as amizades e muitas vezes ocorre também o sentimento maior, o amor. Nestes casos, a possibilidade de êxito, será muito maior, diríamos, tendo em vista a identidade de gostos e mais do que isso, de ideais genuínos, nascidos na intimidade da alma de cada ser.
Aqui é Léon Denis quem nos esclarece a respeito, dizendo que “Cada alma torna-se um foco de vibrações que hão de variar, aumentar de amplitude, intensidade, de acordo com o grau de elevação do ser. O seu movimento próprio, ritmo é a representação exata do seu poder dinâmico, do seu valor intelectual, da sua elevação moral. ”

É preciso lembrar antes de tudo (muitos parecem não saber) que somos individualidades e que essa individualidade não fica perdida ou impedida a partir de um casamento ou seja o nome que queiramos dar ao processo de união entre dois seres encarnados. Como individualidades que somos, estamos sempre vibrando em várias faixas do pensamento e com isso acabamos por criar – conforme Denis – novas realidades que em algum momento irão se materializar, a depender da força e intensidade destes pensamentos. Daí lembramos a orientação de Jesus sobre orar e vigiar.

São os nossos anseios mais íntimos que muitas vezes não expressamos publicamente, mas que o alimentamos a cada dia, a cada noite, e que em algum momento irão se realizar no mundo das formas. Quando dois seres têm anseios diferentes e somente seus, ou seja, algo que não é compartilhado a dois e, portanto, é alimentado somente por um, isso levará a mulher ou o homem em nova direção, muito provavelmente, sozinho, pois que assim escolheu quando agasalhou, alimentou e intensificou seus propósitos – dignos ou não – de forma a se tornarem realidade.

Amor, Lei de AfinidadesQuando há afinidade de pensamento e anseios em comuns, os dois seguem juntos para as realizações, as construções que irão transformar o presente no futuro, sendo que se em algum momento, ocorre o chamado acidente de percurso, tal uma doença por exemplo, o outro estará ali junto para “segurar as pontas”, no dito popular, porque estão unidos intimamente e não simplesmente por uma atração física, pelo prazer decorrente da relação sexual, porque efêmero, quando não sustentado pelo amor.

Somos todos responsáveis até mesmo pelos nossos pensamentos, pois serão eles que atrairão para nós tudo aquilo que ansiamos ou desejamos, então é preciso escolher bem no que pensar. Léon Denis esclarece que “Ao emitirmos pensamentos, cada um de nós exterioriza o que cultiva em seu mundo interior, que encontrará ressonância entre os que estão na mesma faixa vibratória. O grande segredo é a conscientização do que estamos atraindo com nossos pensamentos. ”

Para finalizar, e sabemos que para muitos é difícil esse entendimento, mas devemos ter a consciência do poder de decisão que todos temos e podemos exercer, a partir do livre-arbítrio que nos foi concedido por Deus. Ajudar, amparar e compartilhar a dor e as dificuldades daqueles que estão lado a lado na caminhada evolutiva, é sem dúvida algo digno e de grande importância, que podemos realizar.

Por outro lado, suportar os desatinos, a insensatez, os desregramentos de outrem, que age com sua liberdade de escolha consciente, nos dá o direito de também fazermos novas escolhas, e não simplesmente agir passivamente aceitando os desmandos a que se permite o esposo ou esposa, companheiro ou companheira. Esse fardo era leve e tornou-se pesado por escolha de um e dá o direito ao outro de tomar novo rumo, identificando o que é melhor para si, pois o que era antes compromisso (certidão de casamento), passa a ser uma carta de alforria acenando com a liberdade de poder fazer novas escolhas, exercendo acima de tudo o direito de cada um, de ser feliz.

Muita Paz!

 

Referências Bibliográficas:

KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos, Parte 3, Cap. 11 – questão 888

__________  – O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 22, ítem 2

SHUBERT, Suely C. – Mentes Interconectadas e a Lei de Atração, Cap. 7

DENIS, León – O Problema do Ser, do Destino e da Dor

LIMA, Moacir Costa de Araújo – Amor, a Arte de Viver

 

AMOR, A LEI DE ATRAÇÃO

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