O Sec. XX

Ao lermos o título acima pode-nos parecer contraditório, num primeiro momento, pois nos referirmos ao século passado, já que este texto está sendo escrito, após dezesseis anos (incompletos) já transcorridos deste novo século XXI.

A questão é que se desejarmos saber qual será a nossa missão ou a missão deste novo século, necessariamente precisaremos compreender o que se passou antes, o que nos trouxe até aqui. E porque será tão importante sabermos sobre a missão nossa ou a missão do século XXI ou do novo milênio?

Estamos em pleno transcurso no que se refere à existência do espírito, viajores que somos de longa data, no ir e vir das reencarnações desde que fomos criados simples e ignorantes, por Deus. Sendo assim nada mais justo e inteligente de nossa parte do que nos posicionarmos diante do contexto estabelecido para nós que estamos a viver (encarnados) o grandioso processo de depuração espiritual em pleno andamento, denominado de Transição Planetária.

Para entendermos com profundidade o momento atual é preciso que deitemos os olhos num passado não tão distante, como forma de compreendermos as ocorrências e todo o encadear histórico até o ponto onde nos encontramos e qual a importância disso tudo. Seremos coadjuvantes ou protagonistas no vir a ser futuro em termos de crescimento e evolução espiritual na nova Terra de Regeneração que certamente abrigará grande parte de nós outros que aqui estamos?

Interessante é que uma análise análoga já foi realizada diante desse momento histórico da humanidade, e a qual iremos nos guiar para extrairmos nossas reflexões e conclusões relativas que estão ao nosso alcance, embora nos reconheçamos acanhados ainda diante da inteligência superior que tão bem soube esboçar um raciocínio claro a respeito da transição secular e modificadora dos rumos humanos na Terra.

No início do século passado, em 1919, um nome que seria apontado por muitos como o sucessor de Allan Kardec e o qual muitos estudos biográficos realmente veem confirmar essa possibilidade, escreveria a respeito não só das mudanças que estavam em pleno andamento, em termos evolutivos para uma nova sociedade humana na Terra, como também, dos novos tempos que já num futuro bem próximo, estaria ocorrendo.

Na obra “O Grande Enigma”, Léon Denis no último capítulo da segunda parte, dedica um belo estudo sobre as transformações que àquela época ele próprio foi testemunha ocular da história.

A história dos séculos XIX e XXComeça nos falando do momento histórico entre os dois séculos, XIX e XX, onde ocorrências totalmente diversas tomaram lugar numa nova sociedade que estava em mudanças profundas que iriam alterar o modo de pensar a vida e de se religar a Deus. Para Denis, o novo século que se iniciava tinha uma vocação superior a todos os outros já passados e a importância se dava ao fato de já na primeira metade, ocorrer a queda ou desmoronamento de tudo aquilo que representava o passado da sociedade humana. Otimista e profético, ele preconiza que a partir da segunda metade, antes do novo milênio, as bases seriam de beleza, luz e de justiça.

Sob o nosso ponto de vista atual, a visão de Léon Denis estaria equivocada, tendo em vista que vivemos momentos torturantes ao extremo em termos de violência global, corrupção avassaladora e doenças que ainda exterminam milhares de vidas, em todo o planeta. Ocorre, porém que se olharmos as mudanças, descobertas e invenções que ocorreram a partir dos anos 50 do século passado, principalmente nas áreas de tecnologia e ciência, e compararmos com a verdadeira escuridão que viviam homens e mulheres na face da Terra até meados do século XVIII, haveremos de compreender que o dedicado estudioso e divulgador do Espiritismo, após Allan Kardec, tinha muita razão e o seu raciocínio foi extremamente fiel ao que ocorreu nos últimos tempos.

Houve um grande salto nas condições de vida e bem-estar nos últimos 150 anos, como se um véu tivesse caído e a humanidade enxergado mais longe. A longa Idade Média com seus aproximadamente mil anos de lutas, guerras, epidemias e condenações a fogueira, havia se ido, ficado num passado escuro e distante, porque chegara não só o século das luzes, como assim foi denominado o século XVIII, mas começava também uma nova era luminosa para a existência humana e de todos os espíritos que permanecem no planeta de provas e expiações, adentrando agora um novo ciclo, o da Regeneração.

Denis adentra os campos da religião, primeiramente, evidenciando que o tempo de hipocrisia vivenciado pela religião católica, agora se extinguia, sob o peso de suas faltas seculares, enquanto a Igreja de Roma que durante muito tempo tratou mais de política do que propriamente com a vivência cristã preconizada pelo mestre de Nazaré, o amigo dos humildes e dos aflitos, distanciaram-se em muito do exemplo prático de Jesus e dos primeiros cristãos, ou seja, perdera a sua real missão. O novo século pedia uma religião diferente porque uma nova mudança na postura dos homens sobre a Terra assim o exigia. Não mais a submissão cega e ignorante aos dogmas religiosos distanciados da essência de amor que é Deus. Chegava ao final o tempo de obediência irrestrita aos sacerdotes poderosos e aconchegados ao poder político e militar dos romanos. A consciência começava a se abrir para o novo, o belo, o correto.

A ciência no Sec. XXPelo lado da ciência, fica evidenciado a grande mudança que ocorrera a partir do novo pensamento que não valorizava a matéria ao extremo, como sustentava a falida ciência daqueles últimos cem anos. Agora era preciso conhecer mais a fundo as questões que tanto inquietavam as mentes humanas, os mistérios que até então eram objeto de estudo somente de alguns poucos dedicados, tidos como iniciados, sacerdotes, gurus, feiticeiros ou bruxos. Os fenômenos psíquicos, as questões da alma e os enigmas do Universo, agora faziam parte do menu de uma nova ciência que começava a compreender que seus passos até então eram como de crianças, inseguros e que necessitavam de muita prática e devoção, para encontrar o caminho seguro onde ela cumpriria o seu papel, o de trabalhar continuamente a benefício da humanidade. Diante dessa nova perspectiva, surgem nobres nomes na ciência que, com humildade, irão confessar a sua ignorância em relação aquilo que está além da matéria. A ciência cética chegava ao fim ou pelo menos perdia muita força no novo contexto mundial, tendo em vista que hoje ainda, muitos cientistas resistem quando a questão é o mundo invisível.

Sob o ponto de vista político, o grave equívoco das organizações passadas foi o de ter desconsiderado o ser humano, enquanto individualidade, procurando sempre nivelar as pessoas e grupos humanos, como a formar padrões e condicioná-los como massa a serviço de governantes, reis e ditadores que muito mais interessaram-se por acumular riquezas, patrocinar guerras e conquistas, que submetiam sempre os povos mais fracos ao guante da força e da opressão. Evidentemente que no momento atual ainda precisamos conviver com tais circunstâncias ruins, porém, elas já não representam a totalidade como outrora acontecia.

Mais à frente encontramos o pensamento otimista de Léon Denis com relação ao futuro quando ele fala das renovações que o globo terrestre passará a partir de meados do século XX, quando os precursores e os gênios, segundo ele, chegariam à Terra. Traçando uma verdadeira “divisão de águas”, revela que enquanto o século XIX foi praticamente o século do materialismo, o novo século seria o século do Espírito. Primeiramente o homem alcançou as culminâncias dos recursos materiais (Sec. XIX), porém o que fazer ou como fazer com tantas potencialidades materiais, sem o mesmo alcance moral e porque não dizer, espiritual?

Diante de tanta materialidade o homem passou a explorar mais ainda o próprio homem, na ânsia do enriquecimento relâmpago, sem qualquer sentimento fraterno em relação aos seus irmãos que nascem, crescem e experimentam o processo evolutivo numa mesma escola chamada Terra. Surgia aí uma grande necessidade, a de se fazer também despertar os sentimentos mais íntimos em cada ser, onde a ética, a moral e a fraternidade pudessem encontrar guarida. Era preciso algo novo e inovador do ponto de vista da fé e da crença em um poder maior, capaz de retirar de uma só vez, o véu da ignorância que homens e mulheres carregavam ainda, no que se refere à Deus, ao próximo e a si mesmo. Todas aquelas questões filosóficas deveriam agora serem esclarecidas, mas com razão e lógica, acima de tudo. Quais os segredos por trás da vida, da morte e dos destinos humanos na Terra? Tudo isso precisava ser trazido à tona nos novos debates acerca de manifestações que invadiriam os lares em vários pontos da Terra. A Invasão Organizada estava preparada e se iniciaria logo em breve.

O Livro dos EspíritosO Espiritismo chegaria humilde tal qual o Seu anunciador o foi, quando nasceu, em meio a uma manjedoura. Jesus havia prometido enviar um Consolador, no futuro, o qual iria clarear todas as coisas. Foi assim que em uma tosca cabana num pequeno vilarejo chamado Hidesville no estado de Nova York, as primeiras manifestações tiveram o seu início, em 1848. Dali se espalharam para a Europa onde foram encontrar um homem em especial, o qual incialmente relutou a observar as “novidades” que os saraus franceses agora apresentavam, até que em dado momento foi convencido a ir ver e ouvir as vozes do “outro mundo”.

O Espiritismo tinha agora alguém interessado em lhe conhecer profunda e sinceramente, para depois lhe apresentar ao mundo, como uma nova doutrina erguida sobre três pilares universais: religião, filosofia e ciência. A Doutrina Espírita traria as verdades que o homem tanto buscava pelas vozes e escritos dos espíritos, os quais nos despertariam para a realidade da vida como um todo, pois enquanto uns estão na matéria para viver e crescer no rumo da evolução, outros estão fora dela, aguardando nova oportunidade, porém em plena atividade também no chamado mundo invisível ou plano espiritual.

É assim que a vida segue sempre estuando, em ambos os lados, sempre com vistas à evolução e a proximidade com um poder superior, que é Deus. Os séculos passados cumpriram a missão de nos fazer experimentar as agruras do crescimento enquanto éramos crianças espirituais. Agora o novo século XX e o próximo milênio tem a missão de nos apresentar a um mundo melhor, onde nos tornaremos espíritos adultos, conscientes do dever nobre que temos com a vida, nossa e a do próximo, como Jesus nos ensinou. O compromisso de evoluir sempre através da aprendizagem intelectual, moral e o consequente desabrochar de sentimentos de fraternidade, nesta nova escola de regeneração, a Terra.

Finalizamos com as palavras daquele que soube com inteligência antecipar, momento tão belo e maravilhoso, o momento da mudança vibratória deste planeta e da sua imensa população de espíritos, encarnados e desencarnados:

“Grandes feitos se preparam. Que se ergam os trabalhadores do pensamento se querem participar da missão oferecida por Deus a todos os que amam a verdade e a ela servem. ” – Léon Denis (O Grande Enigma)

 

Bibliografia

DENIS, Léon – O GRANDE ENIGMA, 2ª Parte, Cap. XVI – 16ª edição, FEB

 

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A MISSÃO DO SÉCULO XX

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