Rumo da existência

Temos aprendido muita coisa com o Espiritismo (ou nos “lembrado” delas) e isso de certa forma nos faz questionar o quanto estes conhecimentos poderiam (ou não) fazer diferença na nossa jornada aqui na Terra, caso tivéssemos tido acesso ou tivéssemos sido educados com relação às revelações espíritas, desde cedo, de tenra idade? Se acaso soubéssemos desde cedo que somos seres espirituais reencarnados, que já tivemos outras – muitas e porque não dizer, milhares – de existências, e que esta atual é tão somente continuidade e uma grande oportunidade de avançarmos, de evoluirmos, será que isso não nos tornaria menos propensos aos erros e equívocos?

Mais do que isso, mais do que errar é a questão do aproveitamento do tempo reencarnatório e da energia que trazemos e dispensamos muitas vezes de forma insatisfatória ou menos útil à nós, aos demais seres que convivem conosco e ao meio no qual estamos inseridos. Em suma, poderíamos dizer que ter o conhecimento das verdades espirituais (por relativas que sejam, pois tudo o que sabemos e conhecemos tende a ser ampliado e ultrapassado com novas descobertas e revelações, trazidas pelos próprios encarnados ou pelos espíritos) desde cedo – e aí nos referimos mais propriamente à fase da infância e adolescência – certamente nos pouparia tempo, desilusões e frustrações diversas, ao longo do caminho.

Adolescente sem rumoSe olharmos mais especificamente o momento atual, poderemos verificar uma quase alienação total por parte principalmente dos adolescentes, em relação à vida e à sua própria existência, e vejam, isso não é uma crítica, mas sim uma constatação evidenciada a todo instante em qualquer lugar do mundo e que certamente nos remete a reflexões profundas a respeito da responsabilidade de nós adultos nesse comportamento alienatório por parte da imensa maioria de jovens em nossos tempos. Em algum momento, em algum ponto do caminho, nós adultos falhamos ou no mínimo não estamos sabendo nos relacionar e nos comunicar com estes novos seres reencarnados.

Sabemos que é no período da infância que o espírito encarnado está mais dócil e, portanto, mais maleável a educação, aos ensinamentos e que isso representa valiosíssima oportunidade de crescimento, sob o ponto de vista do espírito em si. Já na próxima fase à infância – a adolescência – é onde praticamente inicia-se a apresentação do espírito propriamente dito, ou seja, é o momento onde a entidade anterior ao renascimento no corpo, começa por mostrar-se como verdadeiramente é, deixando fluir suas tendências e virtudes.

Se cabe aos pais a educação desses espíritos reencarnados, e à escola a transmissão de conhecimento, o Espiritismo bem apresentado pode ser um importante aliado no desenvolvimento desses jovens e num melhor aproveitamento das suas potencialidades, do tempo e da sua energia, como esclarece o espírito Ivan de Albuquerque, através da psicografia do médium Francisco do Espírito Santo Neto, na obra Adolescência, Causa de (In) Felicidade: “… o Espiritismo tem possibilidades ainda mais amplas e profundas… e nos convida a novas concepções socioeducativas sob a ótica reencarnação/renovação…”

Na introdução desta obra, o espírito coloca ainda outros esclarecimentos que se fazem necessários uma profunda reflexão em torno, para que possamos mensurar a grande responsabilidade que todos, pais e educadores, estamos sujeitos neste processo junto aos jovens.

“Ainda reforçamos a ideia de que a adolescência não pode ser considerada simplesmente uma rápida fase de transição entre a infância e a maturidade, mas um importante processo de consolidação da identidade pessoal, psicossocial e sexual… Nessa etapa moldável da vida, eles necessitam, não de recriminação exasperada, mas de acolhimento e orientação. ”

Adolescente solitáriaEm outro ponto, Ivan destaca: “Quando o lar falha, a sociedade não consegue facilmente reparar ou consertar a fenda educacional. Há uma violência doméstica muito grave, e bem pouco conhecida e divulgada: é a apatia, o desleixo, a falta de interesse, de atenção, de cuidado em relação aos filhos, os quais, nessas condições e nessa idade plástica da vida, dificilmente crescem sem lesões, são e salvos, em meio a tantas omissões. ”

Portanto, nos parece que buscar uma posição de antagonismo diante do comportamento e escolhas dos adolescentes, não será a melhor opção, caso desejamos realmente auxiliá-los em seu desenvolvimento pessoal e espiritual, visando acima de tudo que eles se tornem adultos maduros e conscientes da contribuição que a sociedade como um todo espera deles.

Sem deixar de explorarem esse período tão especial que é a fase da adolescência, usufruindo das novas experiências e benesses que esse período pode propiciar, mas com o equilíbrio que somente o conhecimento e a educação integral (como homem ou mulher e como espírito) podem proporcionar a esse jovem que experimenta essa fase tão importante da vida.

Certamente ao receberem a atenção devida e o acolhimento necessário como novos integrantes no meio social no qual se movimentam, estes meninos e meninas que começam a partilhar os espaços sociais e familiares, com os adultos, naturalmente poderiam dar uma melhor contribuição no sentido de construir algo produtivo e edificante, em consonância com os desafios que os adultos enfrentam todo o dia.

Infelizmente o que presenciamos é praticamente um abismo entre uns e outros, vivendo cada qual em um mundo mental diferente, mas ambos enquadrados no mesmo contexto espaço/tempo. É bom lembrarmos que em algum momento o adolescente de hoje, haverá de se tornar um adulto e como tal terá de encarar os mesmos desafios e adversidades que esta nova fase representa. Como estarão preparados (se é que estarão) para isso, caso nós, adultos não tenhamos lhes dado a devida atenção e acolhimento no período anterior à fase adulta?

“Os meios apropriados para educar a juventude constituem uma ciência bem distinta que se deveria estudar para ser educador, como se estuda a medicina para ser médico. ” – Hippolyte Léon Denizard Rivail


Questão 385 de O Livro dos Espíritos:

De onde provém a mudança que se opera no caráter, a uma certa idade, e particularmente ao sair da adolescência? É o Espírito que se modifica?

Resp. É o Espírito que retoma sua natureza e se mostra como ele era. (…) A infância tem ainda outra utilidade. Os Espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem, para se melhorarem. A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de que o terão de dar contas. ”


Adolescente conscienteEis aí a confirmação de que se pais educadores, tivessem e assimilassem bem os preceitos espíritas, certamente isso contribuiria em muito para uma melhor educação de nossas crianças, assim como dos jovens e adolescentes, tendo como consequência uma vivência mais harmônica e compartilhada por ambos – jovens e adultos – de forma a se auto ajudarem diante dos desafios existenciais a que todos estamos submetidos, enquanto reencarnados na Terra.

“A educação é a arte de formar os homens, isto é, a arte de neles fazer surgir os germes das virtudes e reprimir os do vício. ” – Hippolyte Léon Denizard Rivail

Mais do que nunca, torna-se necessário todo o nosso empenho para que a Educação em todos os níveis, possa ser uma meta e um objetivo primordial na formação dos jovens e adolescentes de hoje, para que no futuro possam se estabelecer e contribuir como homens e mulheres de bem, espíritos encarnados e conscientes de seu papel social, humano e espiritual na evolução dos seres que povoam o orbe terrestre.

Muita Paz!

 

Referência Bibliográficas:

KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos, Cap VII – 2ª Parte, A infância

NETO, Francisco do Espírito Santo – Adolescência, Causa de (In) Felicidade

RIVAIL, Hippolyte Léon Denizard – Plano proposto para a melhoria da educação pública, 1828 – França

A EDUCAÇÃO ESPÍRITA E A ADOLESCÊNCIA

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