Depressão

Um dos males que a humanidade vem enfrentando e que talvez devêssemos considerar como um dos mais devastadores e perigosos, tendo em vista que atinge qualquer pessoa, desde a criança até os mais velhos, em todas as classes sociais, ricos e pobres não estão indenes aos seus efeitos. Convém então que nos dediquemos a buscar pelo menos um entendimento relativo às causas dessa doença, classificada entre os Transtornos Profundos, e também procurarmos saber como prevenir e trata-la. Iniciaremos com algumas definições e conceitos por parte de conceituados psicólogos e doutores que têm se destacado na área da Psicologia, principalmente. A partir daí traremos o entendimento que o Espiritismo tem e as suas sábias orientações, sob a visão de Joanna De Ângelis.

Nos Estados Unidos da América, o Dr. Robert Feldman, professor de psicologia e decano da Faculdade de Ciências Sociais e do Comportamento da University of Massachusetts Amherst, criador do Programa de Mentores para Minorias, escritor de dezenas de obras, muitos delas, didáticas utilizada por mais de dois milhões de estudantes em todo o mundo. Dentre os Principais transtornos Psicológicos, o Dr. Feldman classifica e esclarece sobre a Depressão Maior (transtorno de humor), que é uma forma grave de depressão que interfere na concentração, na tomada de decisão e na sociabilidade, uma das formas mais comuns de transtorno de humor. Segundo Feldman, as mulheres sofrem mais, pois têm duas vezes mais chances de sofrer de Depressão Maior, do que os homens.

Em geral, as pessoas neste estado depressivo, podem se sentir inúteis, sem valor e solitárias. Podem perder o apetite e não ter energia, choram descontroladamente e têm perturbações do sono e podem também correr o risco do suicídio. Temos também a contribuição do ex-professor e doutor em Psicologia da Open University, na Inglaterra, Julián Melgosa, que atualmente dirige a Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Walla Walla, em Washington, nos EUA. Melgosa é autor de livros sobre saúde, educação e família, além de palestrante em diversas partes do mundo. O doutor Melgosa vai enumerar alguns sintomas mais conhecidos de depressão, assim como as orientações de prevenção e as possibilidades de cura e tratamento da doença, conforme descreveremos abaixo:

Os Sintomas:

  • Tristeza
  • Alterações do peso
  • Lentidão
  • Fadiga, estresse e/ou cansaço
  • Sentimentos negativos
  • Culpa
  • Limitação mental
  • Ideias de suicídio

Apoio Social

A Prevenção:

  • Buscar apoio social – o depressivo tende a se isolar aos poucos e depois totalmente, assim é importante que busque o apoio de familiares, amigos ou grupos;
  • Vida ativa – necessário buscar uma rotina que lhe possibilite estar atuante em pelo menos algum segmento, mesmo depois de aposentado é importante termos algum compromisso sério, onde possamos contribuir positivamente e assim nos sentirmos incluídos e valorizados;
  • Pensar corretamente – aqui lembramos a orientação de Jesus: “Orai e Vigiai”, ou seja, não podemos permitir que todo pensamento que nos venha à cabeça, seja assimilado. Pensar corretamente significa eleger coisas com significado e valor, objetivos maiores, algo realmente que seja edificante e acima de tudo que nos propicie paz interior;
  • Prudência com relação ao passado – uma das razões para a instalação do processo depressivo é a constante vivência do passado. O indivíduo volta sua atenção e o seu foco principal para tudo o que já vivenciou, em especial, as coisas negativas. Exemplo: alguém que tenha sofrido por parte de outrem, continua a externar a sua revolta, o seu ódio em relação àquela pessoa e como muitas vezes não consegue vingar-se, sente-se frustrado e impotente, vindo a deprimir-se facilmente;

O Tratamento e a Cura:

  • Farmacológicos – a partir da orientação médica, passará a tomar os medicamentos apropriados para o reequilíbrio emocional e mental. Importante lembrar aqui que um dos fatores de muitas pessoas não curarem a depressão, é que após as primeiras medicações, recuperam o estado de humor habitual, normal e acabam por parar o tratamento. A partir daí, voltam a cair em depressão muito mais intensa e profunda, após passar o efeito do remédio. Importante assim, manter o tratamento até que a orientação do médico, resolva por interromper a medicação;
  • Psicoterapia – geralmente o psicólogo poderá sugerir algumas atividades práticas, como forma de auxiliar no tratamento médico, tais:
    • Praticar atividades agradáveis, ou seja, fazer aquilo que você mais gosta, seja um esporte, seja um hobby ou um trabalho ou serviço;
    • Participar de atividades sociais é importante também, pois é aí que o indivíduo dentro do processo depressivo, encontra apoio e auxílio, reoxigenando suas ideias e pensamentos;
    • Ocupação manual – é sempre importante e interessante que tenhas algum tipo de hobby ou nos dediquemos à alguma atividade que exija o emprego das mãos, isso ajuda na nossa concentração e na atividade cerebral;
  • Terapia Espiritual – vejamos essa dica do Dr. Melgosa, que embora, sendo médico, orienta que juntamente como o tratamento médico, com a psicoterapia, tenhamos também um auxílio espiritual.
    • Fé – é preciso ter ou desenvolvê-la e isso irá ajudar muito na nossa recuperação;
    • Deus – relacionar-se com Deus é buscar a paz interior;
    • Otimismo – devemos buscar a presença de pessoas otimistas, para entrarmos num clima de humor positivo;
    • Futuro – olhar para o futuro com serenidade, evitando a ansiedade e o sofrimento por antecipação. “A cada dia basta as suas aflições”, já dizia Jesus

 

Espiritualidade

Descrito alguns conceitos médicos muito importantes, olhemos agora para as orientações da querida mentora Joanna de Ângelis, que a nosso ver, dispensa apresentações, mas para os que não a conhecem, podemos dizer que esse Espírito que acompanha o médium Divaldo Franco já há muitos anos, escreveu vários livros de psicologia, denominados como a Série Psicológica, composta de doze obras.

Joanna vai nos dizer que “… na raiz psicológica do transtorno depressivo ou de comportamento afetivo, encontra-se uma insatisfação do ser em relação a si mesmo, a qual não foi solucionada”.

Classificamos abaixo algumas causas que a Mentora aponta como desencadeadoras da depressão:

  1. Insatisfação por desejos não-realizados: ocorre uma revolta interior, que se transforma em melancolia e posteriormente em desinteresse pela vida que poderá vir a culminar no suicídio;
  2. Disfunções (reais ou imaginárias) da Libido: vivemos num mundo que está cercado e obcecado pelo erotismo e a sensualidade. O homem e a mulher buscam incessantemente o prazer, o gozo, onde as energias são escoadas livremente, deixando um vazio imenso (porque sem amor) e uma frustração após o intercâmbio físico. Quando o indivíduo não consegue corresponder ou atrair aquilo que elege como importante e necessário (sexo), passa a experimentar perturbação e inconformidade, vindo a deprimir-se;
  3. Perdas: toda perda traz consigo momentos de angústia e tristeza que não deverão exceder ao período normal para o refazimento (6 a 8 semanas, a depender do tipo de perda);
    1. Luto: perda de uma pessoa querida, amada, um familiar ou amigo de longa data, pode nos acarretar momentos depressivos, advindos da tristeza (natural) mas que se não houver uma reação positiva, poderá levar à uma depressão profunda. Algumas pessoas ao perderem seus entes queridos passam a desejam também a morte, o que por si só já um suicídio indireto;
    2. Profissionais: a perda do emprego pode trazer também seu momento de depressão, pela incerteza em relação ao futuro e as preocupações em decorrência dos compromissos financeiros assumidos, além de muitas vezes a pessoa experimentar o sentimento de inferioridade e vitimização;
    3. Afetivas: a experiência da separação, divórcio, etc. quando não bem trabalhadas, podem levar indivíduos mais frágeis psicologicamente e sem a maturidade necessária, à estados depressivos profundos, justamente por não estarem preparados para viver sem a pessoas que até então, tinham como sua eternamente, o que constitui um equívoco.
  4. Choques externos – os acidentes que porventura causem algum dano ao sistema nervoso, como acidentes, agressões violentas, onde pode haver traumatismo craniano, podem causar depressão, se houver dano em algumas áreas do cérebro, responsáveis pela produção de hormônios encarregados por manter em equilíbrio a nossa afetividade. Alguns neurônios localizados no tronco cerebral próximo à espinal medula, se afetados, podem interromper a produção de serotonina e noradrenalina, valiosas substâncias relacionadas às nossas emoções;
  5. Perinatal – o espírito junto ao corpo da mãe, recebe através do períspirito, todas as alterações de humor por parte da genitora, incluindo os sentimentos de rejeição ao feto ou do pai violento, das brigas domésticas e da insegurança no processo de gestação. Assim, ao reencarnar traz consigo toda sorte de amarguras, conflitos e traumas, além dos transtornos de comportamento;
  6. Heranças reencarnacionistas – os dramas e tragédias vivenciados, nas nossas vidas anteriores, surgem muitas vezes em forma de consciência de culpa, na atual reencarnação. O conflito interno se estabelece e as perturbações levam-nos ao início da depressão. Geralmente essa infeliz ocorrência depressiva vem acompanhada das obsessões vigorosas por parte daqueles que em outros tempos podem ter sido feridos, magoados ou violentados pelas nossas ações pretéritas. Como exemplo citamos os crimes que ficaram ocultos e por isso impunes sob as leis humanas, mas que não escaparam ao registro na consciência individual, ressurgindo como necessidade de reparação das Leis Divinas, na atual vivência do ser encarnado.

Joanna propõe como tratamento e cura da depressão, juntamente com o tratamento médico, as seguintes ações:

  • Catarse – é necessário abrir-se, colocar para fora, falar das dificuldades enfrentadas, procurar compartilhar com alguém – psicólogo ou um atendente fraterno, no caso de uma casa espírita – uma pessoa da família ou um amigo. O importante é que a pessoa a quem iremos buscar ajuda, esteja realmente em condições de nos ajudar e acima de tudo tenha interesse real e sincero em nos trazer de volta a vida;
  • Culpa – é preciso eliminar a culpa insculpida na nossa consciência, procurando entender que nossos erros são também necessários para o nosso aprendizado e crescimento. Lamentar e se culpar não irá reverter as ações transatas, mas sim, novas ações – agora dignas – voltadas ao bem de si e de outrem, será sem dúvida, uma excelente terapia preventiva e inibidora da depressão profunda;
  • Otimismo – eliminada a culpa, abrem-se novos espaços mentais para novos cometimentos e um clima de alegria e vontade de viver, deverá prevalecer na vida do paciente;
  • Autoestima – valorizar-se e entender-se como pessoa e ser importante para si e para os demais, para o meio o qual está inserido, buscando renovar constantemente as razões para bem-viver e contribuir de forma positiva no ambiente social, doméstico ou religioso;
  • Novos desafios – uma das prevenções mais eficazes, sem dúvida, contra a depressão é buscar novas atividades e novos aprendizados e para isso é preciso desafiar-se, realizando algo que lhe atraia e seja motivo de satisfação. Para isso é preciso olhar à frente e desfocar do passado, do já realizado, pois se fomos exitosos antes, porque não seremos agora?
  • Hábitos – Infelizmente muitos pacientes depois de um tratamento voltam a reincidir em estados depressivos, justamente por continuarem repetindo as mesmas ações anteriores. Como obter resultados diferentes, agindo exatamente da mesma forma que antes? É preciso alterar os hábitos infelizes, arraigados em nossa conduta e comportamento. Devemos então identificar aqueles que podem ser nocivos e substituir por outros salutares e libertadores;
  • Leitura – buscar ler obras edificantes, com conteúdo positivo e esclarecedor, com significância real para a vida. Muitos indivíduos acabam por cair em depressão justamente por alimentarem a mente com conteúdo (escrito ou televisivo) mórbido, deprimente e pessimista, na maioria das vezes;
  • Oração – a prece é uma súplica endereçada à Deus, onde externamos nossas dificuldades e anseios, recebendo em contrapartida todo o auxílio divino por parte das nobres entidades encarregadas de nos auxiliarem nos momentos difíceis;
  • Caridade – sem dúvida a ação nobre em relação aos nossos irmãos em dificuldades maiores do que as nossas, é um lenitivo renovador da paisagem mental e emocional, preventivo e curador nos processos depressivos. Mais uma vez, lembremo-nos de Jesus: “Faça a outrem aquilo que gostaria que lhe fosse feito”.
  • Conversas – procurar dispensar da nossa rotina diária, aqueles diálogos menos produtivos (lembra da famosa fofoca?), interrompendo imprecações e queixas costumeiras nossas ou por parte de outros. Importante desenvolvermos conversas mais saudáveis, claras e objetivas em relação a qualquer assunto que nos chegue, sem cairmos evidentemente na resposta automática e sem emoção.

Convivência Saudável

Por fim destacamos de forma resumida o pensamento de Joanna De Ângelis, encerrando este tema difícil e que ainda requer muito conhecimento e descoberta em torno do complexo emocional e psíquico que envolve o ser encarnado:

“Os hábitos saudáveis da boa leitura, da oração, em convivência e sintonia com o Psiquismo Divino, dos atos de beneficência e de amor, do relacionamento fraternal e da conversação edificante, constituem psicoterapia profilática que deverá fazer parte da agenda diária de todas as pessoas”.

 

 

Referências Bibliográficas:

FELDMAN, ROBERT – Introdução à Psicologia, 10ª Ed (2015)

MELGOSA, JULIÁN – Mente Positiva, 1ª Ed (2010)

FRANCO, DIVALDO – Triunfo Pessoal, 6ª Ed. (2002), psicografia do Espírito Joanna De Ângelis

A CONTRIBUIÇÃO ESPÍRITA NO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO

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